segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Your Time Is Gonna Come (Led Z.)

É que tem algo prendendo meu peito ao seu
Como uma corrente de sangue, veias drenando
E é como se tivesse um véu cobrindo o céu
Um escuro tom de bruma, demônio arfando
E as costas, que costas sedentas de algo mais
E os braços, se movendo como Chiva faz.

Aquietando os anjos, dormem os deuses
Enquando as danças do inferno me preenchem
E a dança dos cosmos desfeitos que não temem
O passar de séculos, decanos, anos, meses
A quietude vai se aquietando e mordendo
A serenidade vai se queixando, morrendo


Escutando o som da cidade em sina torpe e terna
Revirando e caçando corpos que caem por terra. 



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Your Time Is Gonna Come (Led Z.)











....

Eu tento pintar meu coração com as cores da dor
Lamentação e pesar e todas essas palavras
Carregadas de doce melancolia e beleza
Mas as tintas escoam, pingam até o chão.

E mesmo não diluídas, mesmo o vermelho berrante
E mesmo o preto compenetrado e o azul esquecido
E mesmo o amarelo dos tempos de infância perdida
Nada fica, nada permanece nessa coisa lisa
De metal contra as nuvens e de mármore ofuscante
E eu tento me sujar do passado, do presente, do futuro
E singro os mares da memória em busca das cores
Mas elas não estão lá, não estão aqui...

E o metal do meu peito fica mais liso e quente
Derrete o grafite, a tinta, as palavras e os sentidos
Eu risco mentiras e verdades, provoco e trago a tona
Mas ele está sempre liso e frio, sem beleza
E eu olho um rosto que não é meu
E eu olho um corpo sem sentidos
E eu observo desejos cometidos
E eu absorvo a mim mesmo no fim do começo
Num circulo dentro de mim de eternidade
Num arco invisível...

E mesmo os olhos desejosos não me acometem
E mesmo os corpos amorosos não me agradam
E mesmo os sentidos mais puros eu engasgo
E cuspo, vomito qualquer sentimento de fato
E não foi sempre assim?