domingo, 20 de dezembro de 2009

Your Time Is Gonna Come (Led Z.) 3

Eu preciso deixar tudo isso ir embora. Mas os ventos não tem tanta força quanto o passado. Quanto o presente. Quanto... Algo que na verdade não existe, o futuro.
                               As palavras me escapam... E se repetem frases feitas de antes de tudo começar. Minha tranqüila indiferença e a pateticidade infantil de alguém que se esconde. Eu seguro o ódio com as mãos calejadas e acaricio seus espinhos com esmero. Ossos, carne, sangue que eu nunca vi.
                               Cada um tem seus motivos pra causar dor... e para não fazê-lo. É uma pena.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Your Time Is Gonna Come (Led Z.)

É que tem algo prendendo meu peito ao seu
Como uma corrente de sangue, veias drenando
E é como se tivesse um véu cobrindo o céu
Um escuro tom de bruma, demônio arfando
E as costas, que costas sedentas de algo mais
E os braços, se movendo como Chiva faz.

Aquietando os anjos, dormem os deuses
Enquando as danças do inferno me preenchem
E a dança dos cosmos desfeitos que não temem
O passar de séculos, decanos, anos, meses
A quietude vai se aquietando e mordendo
A serenidade vai se queixando, morrendo


Escutando o som da cidade em sina torpe e terna
Revirando e caçando corpos que caem por terra. 



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Your Time Is Gonna Come (Led Z.)











....

Eu tento pintar meu coração com as cores da dor
Lamentação e pesar e todas essas palavras
Carregadas de doce melancolia e beleza
Mas as tintas escoam, pingam até o chão.

E mesmo não diluídas, mesmo o vermelho berrante
E mesmo o preto compenetrado e o azul esquecido
E mesmo o amarelo dos tempos de infância perdida
Nada fica, nada permanece nessa coisa lisa
De metal contra as nuvens e de mármore ofuscante
E eu tento me sujar do passado, do presente, do futuro
E singro os mares da memória em busca das cores
Mas elas não estão lá, não estão aqui...

E o metal do meu peito fica mais liso e quente
Derrete o grafite, a tinta, as palavras e os sentidos
Eu risco mentiras e verdades, provoco e trago a tona
Mas ele está sempre liso e frio, sem beleza
E eu olho um rosto que não é meu
E eu olho um corpo sem sentidos
E eu observo desejos cometidos
E eu absorvo a mim mesmo no fim do começo
Num circulo dentro de mim de eternidade
Num arco invisível...

E mesmo os olhos desejosos não me acometem
E mesmo os corpos amorosos não me agradam
E mesmo os sentidos mais puros eu engasgo
E cuspo, vomito qualquer sentimento de fato
E não foi sempre assim?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

....

Nas velhas alcovas, um adolescentes muito magro estava deitado sobre alguns trapos. As velhas alcovas eram como se chamavam os laboratórios de necromancia no mundo, no tempo e no espaço do cavaleiro escuro. E ele agora se via não como um cavaleiro já vivido e morrido, existindo como a sombra de um mundo que nunca foi de fato bom e prospero. Ele era esse pobre adolescente, caído ao chão, cansado, magro e lívido como um dos cadáveres pútridos que estavam deitados sobre as camas de pedra do recinto principal. Sim, o cavaleiro escuro sonhava, mais uma vez, agora com os tempos em que aprendera a reviver e controlar os corpos mortos e a falar com seus espíritos através das carcaças podres.
Um homem, muito alto e magro, com o rosto pálido para um negro, e com barbas ainda muito escuras (o que mostrava que não era tão velho quanto seu ar sombrio queria demonstrar) e o olhar penetrantemente vermelho, veio descendo as escadarias para o Salão Negro. Ele chamou o adolecente escuro para suas lições do dia (ou das noite eterna que parecia pairar no lugar)
-S abe quem é Lúcifer garoto?
- Perdão mestre, mas já li sobre ele, é o Estrela da Manha, o mais poderoso anjo, senhor dos coros celestiais e guardião da luz, anjo caído. Se rebelou e foi punido por Deus, depois de causar a primeira guerra do céu. ..
- Já basta, sei que leu, então, como é sua obrigação fazer. Agora diga, em seus estudos ouviu falar no Totem de Ossos?
-Perdão mestre, não li sobre isso...
Então, o velho mestre lhe contou exatamente isso:
“Dizem os velhos escritos, que Lúcifer, por um segundo no tempo dos homens, se arrependeu do que fez da guerra que causou e de ter afrontado deus. Ele quis, por um segundo, voltar a ver a fasse de Deus. Então decidiu construir um Totem, uma torre maciça, como uma escada, que fosse de Tártaros, do inferno, até os campos elisios, o céu. Ele foi arrancando partes de si mesmo, seus ossos, sua carne, ou o que corresponde a carne e osso nos planos inferiores. E, por ser um anjo, imortal, seu corpo se recompunha ”.


Não lembro como termina essa história... Acho que ai, o cavaleiro acordou.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

-risos-

Eu não sei se sinto raiva ou descontentamento. As vezes, por ser eu mesmo e por uma missão eu fico decaído em minha própria existência. E minha missão, ou minhas missões, só são escolha até certo ponto. E depois de fazer o papel de bom, de anjo, de porteiro das coisas boas que vão ocorrer, de catalisador do bem, eu me visto de demônio e carrego a ânsia canina de um monstro insano. Quem controlar? O anjo bom ou o monstro? Não sei nem preciso mais saber de verdade, pois o que sobra é sempre um corpo sendo usado constantemente para algo além de mim mesmo. Esse meu corpo, minha voz, meus olhos feios e minha cara amarrotada. Sem alma, talvez, seja ela o recipiente de qualquer coisa que não existe. E eu sinto raiva e descontentamento, porque a solidão é o que aguarda um mercenário em suas noites entre-guerras e o que me aguarda é só um futuro inexistente.
Olho nos olhos dos trunfos dos outros e não compartilho do bem que eles ganham comigo. Olho nossos ganhos que não são meus de fato e sigo... rumo a Torre, rumo a eterna repetição do fim em si mesmo. Um ciclo se fecha e eu estou sempre lá, no final, onde a Torre tem sua imagem real e verdadeira, onde a Torre é uma Torre enfumaçara.
Mas há aqui uma continuidade, algo que eu aprendi com tudo isso. Hummm...
–risos –

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Luto Escuro